Minha avó fumava seu cachimbo e uma nuvem de fumaça se elevava em direção à cúmulo-nimbo , cuja tempestade já se formava. Em uma das mãos tinha a garrafinha que exalava um cheiro adocicado. E quando bebia aquela água "branquinha ", causava um barulho danado! Sempre se alterava quando bebia, perdia a linha e o carretel, Logo , toda a vizinhança fugia, até mesmo seu cãozinho fiel. Acho que a bebida molhava sua alma seca e sofrida, ao ver que a mãe chorava pela liberdade tolhida. Tomávamos sempre a sua bênção, fazia parte de nossas vidas. Esse ritual era uma obrigação, nas nossas idas e vindas. Nascida na lei do ventre livre, viu sua mãe ainda escrava. Dos filhos nascidos do seu ventre, meu pai era com quem contava. Primeira moradora do lugar, foi temida, destemida, respeitada... Tinha o dom de ser popular, ao percorrer sua longa estrada. Centenária ,nascida Ana Marta,...