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Era Dia de Santos Reis

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 Ou estava um pouco escura aquela tarde,  ou estava um pouco clara aquela noite.  Só me lembro de que era Dia de Santos Reis,  e o relógio indicava quase seis. Naquele dia as coisas estavam diferentes, as pessoas pareciam mais contentes.  As folias de Reis se apresentavam na praça,  com suas batidas e  palhaços fazendo graça.  Muitos estavam lá e cedo não voltariam,  e  os que ficaram logo também iriam. Para aquela hora havia muita claridade,  mas a lua já aparecia sobre a cidade.  Foi aí que resolvi achar estrelas em céu azul,  só vi uma, talvez fosse da Cruzeiro do Sul.  E  mais adiante um prato redondo,  emitindo luzes alaranjadas e rodopiando.  Observei aquilo  amedontrada até me escondi  e dei uma rezada.  E  na inocência de minha pouca idade,  fiz uma prece e pedidos à tal divindade.  E assim, do mesmo jeito que apareceu  em questão de minutos desapareceu. Passei...

Deus me livre

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 Deus me livre de qualquer agente do mal   que lança impropérios sobre alguém.   Deus me atrele com força vital    a qualquer corrente de gente de bem.                            Nilceia Herculano 

Sobreviver

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  Sobreviver de sobras de alimentos,  engana a fome que se avizinha.  Essa arte fortalece a fé por momentos na esperança de uma vida melhorzinha.                     Nilceia Herculano 

Malabaristas do Tempo

 Eles não dividem o tempo  em contadas e  morosas horas,  e nem somam seus dias.  O malabarismo é um passatempo  até para adquirir o alimento.  Eles têm tempo de sobra  enquanto dividem sobras à sombra.                            Nicéia Herculano 

Ondas da vida

 As ondas são quase como a vida da gente,  que sem sombra de dúvida,   é  cheia de idas e vindas.  Às vezes se sacolejam subitamente,  e posteriormente se acalmam sutilmente.  Elas vão...,vem...,se desdobram... Só que vidas quando se vão...não voltam.                             Nilceia Herculano                             

Ana Tomé

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 Minha avó fumava seu cachimbo  e uma nuvem de fumaça se elevava em direção à cúmulo-nimbo , cuja tempestade já se formava. Em uma das mãos tinha a garrafinha  que exalava um cheiro adocicado.  E quando bebia aquela água "branquinha ", causava um barulho danado! Sempre se alterava quando bebia,  perdia a linha e o carretel,  Logo , toda a vizinhança fugia,  até mesmo seu cãozinho fiel. Acho que a bebida molhava  sua alma seca e sofrida, ao ver que a mãe chorava  pela liberdade tolhida.  Tomávamos sempre a sua bênção,  fazia parte de nossas vidas.  Esse ritual era uma obrigação,  nas nossas idas e vindas.  Nascida na lei do ventre livre,  viu sua mãe ainda escrava.  Dos filhos nascidos do seu ventre,  meu pai era com quem contava. Primeira moradora do lugar,  foi temida, destemida, respeitada... Tinha o dom de ser popular, ao percorrer  sua longa estrada.  Centenária ,nascida Ana Marta,...

Desconectada

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 Gente, hoje fiquei com pena de uma vizinha,  pois a cada dia fica mais sozinha. Sempre a formadora das "panelinhas ", Passava o dia rodeada das amiguinhas. Recheada de novidades para contar,  a qualquer hora,até tardar. Era a primeira a divulgar falecimento  e a última a deixar o local do acontecimento.  E se alguém emagrecia ou engordava,  já levantava hipóteses e diagnosticava.  Mal entrava em casa para almoçar,   voltava com uma cadeira para se sentar. E aí, com o advento do celular  Ironicamente ficou sem ter com quem falar. Nunca se interessou em se conectar,  achou difícil se adaptar.  E  para quem era a dona do lugar,  agora ficou sem lugar para ficar.  Às vezes a vejo passar daqui pra lá,  e em outras de lá pra cá.  Vez ou outra anuncia um falecimento,  mas alguém postou e é de conhecimento. Às vezes cisma de chamar alguém  mas estão todos on_line, ninguém vem. E aí só restou sua jane...