Outra Vez Minha Mãe
O vento trazia o aroma de comida gostosa, sabíamos que vinha lá da casa cor de rosa. Naquela manhã de sábado era sabido que uma de nossas amigas teria um marido. Era só mais um casamento naquele mês, antes já havíamos frequentado três. Minha mãe era a primeira a ser convidada, porque ela era a cozinheira preferida. Todos adoravam o tempero da comida dela, e a tarefa do almoço sempre ficava para ela. Ela gostava de ser chamada para isso, e não cobrava e nem fazia questão disso. Eram frequentes os casamentos aos sábados, as pessoas até repetiam roupas e calçados. Nós nunca íamos para o almoço com ela, esperávamos a comida trazida na panela. À noite íamos ao religioso na igreja nova, e voltávamos para a festa na casa da noiva. Por aqui as pessoas eram bem unidas, mais que isso, eram verdadeiras famílias. Hoje já não existem casamentos por aqui, nem festas pelos arredores ouço daqui. As pessoas estão sempre mais evasivas, envolvidas em suas próprias vidas furtivas. Elas se cumprimenta...