Hoje

                                                                                       




Hoje me pus a pensar
sobre meu poema infância.
Como mudou o lugar!
Casas,...pessoas,...inocência.

Nem pique e nem bandeirinha,
o som automotivo venceu.
O já ganhei pela tardinha,
agora é só perdeu,...perdeu.

Hoje a lua é a televisão,
não existe mais o breu.
Vaga-lume vaga não,
já que a luz se acendeu.

Nem pensar em pique-esconde
só tem muro e cadeado.
Vai se esconder aonde,
se só tem portão fechado?

Meu quintal ainda resiste,
e já não passa enxurrada.
Hoje galeria existe
sob a rua asfaltada.

Hoje está urbanizado,
e é um privilégio morar,
entre o cinza concretado
que deixa o verde aflorar.

O jeito de brincar mudou
e as expressões verbais também.
A violência sequer chegou,
e por aqui ainda se vive bem.

A saudade parece visita
na nova casa que foi erguida,
que ao avistar o relógio avisa;
estou de partida,segue sua vida.

                 
             Nilceia Herculano






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