Mundo Cor de Rosa
O vento soprava as roupas no varal,
exalando um perfume floral, pelo quintal.
Fazendo meu dever de casa numa mesinha,
eu sentia o aroma do café ,vindo da cozinha.
Minha mãe fazia o café pontualmente,
aliás cozinhava divinamente!
De matemática só faltava resolver um problema,
mas eu ainda tinha que ler "Iracema".
Lá de fora ouvi um grito de gol;
era meu pai com seu jogo de futebol...
Ele tinha um radinho à pilha,verde,
e muitas vezes quase o derrubei da parede.
Carrinhos de rolimãs desciam a ladeira,
eram meus irmãos na brincadeira...
E quando a temporada de pipas chegava,
até a puxar a linha das árvores eu ajudava.
Eles não ligavam muito para o dever,
achavam que já sabiam ler e escrever.
Ficavam de castigo no final da aula,
fazendo o dever de casa,lá na escola.
Nem era por querer que não faziam,
era tanta euforia que se esqueciam.
Só quando a Siderúrgica indicava a hora,
é que toda a criançada da rua ia embora.
Íamos juntos comprar o pão na padaria,
porque ir sozinho ninguém queria.
Pois no caminho havia um cachorro que latia,
corria e rosnava,mas não mordia...
Às dez horas da noite meu pai desligava a televisão,
ele era rígido nessa questão.
Logo,todo mundo tinha que se deitar,
torcendo para o dia seguinte chegar!
Cada um tinha seu motivo,
e o meu,era viajar na história de um livro.
Os dias até pareciam iguais,
mas não nos entediávamos jamais!
Ignorávamos os problemas do mundo,
e vivíamos o mundo,em um segundo!
Nilceia Herculano


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