Os Filhos do Vento




Era uma manhã qualquer,
não sei ao certo o ano sequer.
Pessoas na rua num vai e vem,
e meninos caminhando nos trilhos do trem.
Era um grupo de cinco ou seis
e o mais velho tinha uns dezesseis.
Eles corriam de lá para cá a esmo
e um deles até defecou,ali mesmo.
Notei que alguns tinham as costas marcadas,
por baixo de suas camisas rasgadas.
O sol refletia seu brilho
incisivo, naquelas criaturas sobre o trilho.
Eles atiravam pedras no vagão,
tudo era uma grande diversão!
Enquanto eu caminhava e observava,
todo mundo passava e nem olhava.
Pois eram meninos de pés descalços,
passando por tais percalços.
Talvez até tivessem seus pais,
mas pareciam livres demais!
Ouvi um apito:era do trem cargueiro,
que me tirou a visão por inteiro.
E logo que o gigantesco passou,
a brincadeira também cessou.
Só pude ver que o grupo longe partia,
em meio à poeira da ventania que fazia.
Pensei:são os filhos do vento,como tal
estar aqui ou acolá para eles era normal.
Hoje espero que estejam por aí e bem,
diferentes e melhores do que ontem.


                     Nilceia Herculano

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