A estrada


Finalmente, chegou o grande dia, 

era tudo o que a gente mais queria!

A tão sonhada véspera da excursão, 

paga de uma em uma prestação.

Dona Lucí fazia suas excursões 

a cada trimestre, sem exceções. 

Geralmente eram aos Domingos, 

composta por vizinhos e amigos. 

De praias, circuitos das águas a santuários, 

íamos  gastando com acessórios. 

E naquela não seria diferente, 

compramos o isopor do refrigerante. 

Dona Lucí levava frango,farofa e panela, 

e  muitos "filavam"a comida dela. 

Essa excursão era a famosa três em uma,

três lugares, um dia e sem pressa alguma.

Atravessaríamos a Rio-Niterói aos gritos, 

atrás de um santuário e de penduricalhos. 

À tarde iríamos  à Quinta da Boa Vista.

Museu e zoológico mereciam uma visita. 

Já a igrejinha da Penha era ponto certo, 

conferiríamos seus degraus de perto. 

Parecia que nos faltava um pedaço do dia

para visitar tudo o que se queria.

Lá no fundo o que eu mais gostava,

eram dos lugares por onde eu passava.

Do movimento dos carros nas estradas, 

sobre suas curvas e retas traçadas.

Por lá,só por estar em qualquer lugar 

me dava uma sensação de bem-estar!

Ou talvez fosse estar em lugar nenhum

no momento e sem compromisso algum. 

 


                          Nilceia Herculano 








                            







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