O Vendedor de Sonhos
Logo,o cachorro xolim foi em sua direção.
O insistente vendedor de livros dessa vez
demonstrava uma certa timidez.
Talvez fora mal recebido na casa ao lado,
e sua insistência não dera resultado.
Na nossa casa sempre eram bem recebidos,
na maioria das vezes levavam recibos.
Meu pai quase sempre comprava
e minha mãe às vezes não gostava.
Desde enciclopédias a jogos de panelas,
os vendedores faziam vendas daquelas.
Naquele dia não foi muito diferente,
meu pai comprou livros para a gente.
Num total de quatro livros coloridos;
Vermelho, verde,bege e azul. Lindos!
Eram aqueles clássicos contos de fadas
que não deixaram nossas vidas enfadadas.
Passávamos horas, várias noites e dias
mergulhados naquelas histórias.
Me pegava sonhando com outras vidas,
através daqueles contos de fadas.
Saber ler é caminhar numa extensa rua
e não deixar que alguém te diminua.
Em outubro de dois mil e vinte um faleceu
meu pai,nós o chamávamos de "pai meu ".
Gratidão eterna aquele que me incentivou,
e ao fazer valer sua vontade me ajudou.
Saber ler e escrever é interpretar vidas,
que contêm páginas incompreendidas.
Nilceia Herculano
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