Mundo Cor de Rosa 2


 O vento levantou poeira do quintal 

que  foi em direção às roupas no varal.

Meu vestido de godê amarelo voava

e entre as demais peças se destacava. 

Usado nos catecismos,missas aos Domingos 

e passeios à rua da feira com amigos. 

As ventanias de Agosto ditavam regras,

e influenciavam todas as brincadeiras.

Eu não gostava muito desses dias, 

pois prejudicavam brincadeiras femininas. 

Não dava mesmo para jogar maré,

segurar a saia e ainda ficar num só pé. 

E mesmo batendo com força na peteca 

ela se desviava para a casa da Dona Teca.

Pular corda não dava nem para tentar,

porque as rajadas faziam a corda voar.

Já a molecada deixava de lado o grude 

nas suas tão amadas bolinhas de gude. 

Ventanias pediam pipas coloridas, 

diversificadas,criativas e lindas. 

Quase todo mundo queria ter a sua, 

valia soltar até ratinhos de papel na rua. 

Vez ou outra subíamos para os morros, 

e a maioria desbicava entre os cachorros. 

As convivências com os bichos eram boas.

Bicho é quem se assusta com pessoas.

Eu gostava muito de ir bem lá em cima, 

para ver tudo de forma pequenina.

Olhar as montanhas ao longe e imaginar 

que bem atrás delas estaria o mar. 

E quem sabe o monumento de esplendor 

do tão famoso Cristo Redentor!

Tempo em que o longe parecia perto

e tudo no mundo parecia certo. 

Valiam pipas pretas,azuis, rosas, amarelas...

e todas as cores eram belas. 


                   Nilceia Herculano 


 













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