Era Tempo de Natal
Eram dias de folias dos Santos Reis,
o ponteiro do relógio passava das seis.
Eu sabia mais ou menos ver a hora
no relógio do meu pai sobre a cadeira.
Era dia de apresentação de folias na praça,
com batidas e palhaços fazendo muita graça.
Nesse tempo, para mim o sentido do Natal
era ouvir ao longe aquela batida sem igual.
Os brinquedos do natal eram abandonados
e saíamos literalmente disparados.
Às vezes ficávamos noites e dias
correndo atrás das mais variadas folias.
Nós amávamos os gingados dos palhaços,
e tentávamos decifrar seus traços.
Visitavam todas as casas das redondezas,
exibindo coreografias com maestrezas.
A felicidade se estampava em cada rosto,
em cada olhar e em todo jesto.
A gente via o olhar do jovem brilhar
e o olhar de um idoso despertar.
Por aqui ainda aparece alguma folia,
mas cada vez aparece menos hoje em dia.
Hoje elas se concentram em ginásios
e geralmente para fazer desafios.
Mas,se aparecer alguma folia por aqui,
acho que vou mesmo só ficar ouvindo daqui.
Realmente tudo na vida passa,
mas lembrança boa a gente processa.
Nilceia Herculano

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