E A FESTA ACABOU...




 A festa já rolava há um bom tempo lá fora,

e parte dos fiéis não via a hora de ir embora.

Dentro da igreja exalava cheiro de quentão,

pipoca, pamonha e o do famoso salsichão.

Naquele domingo a missa ia pra lá do além ,

e a maioria esperava pela hora do amém.

A quermesse da igreja durava o mês inteiro,

sendo mais extensa no dia do padroeiro.

Enquanto o padre dizia vamos em paz

um barulho de rojão já estourou lá atrás.

E quando os fiéis saíam da celebração,

assistiam ao coral dos anjos de pés no chão.

Essa era uma homenagem à santa do mês,

e a criançada também tinha sua vez.

Essa tradição era o ponto mais alto da festa,

e minha irmã caçula também estava nesta.

Fogos de artifícios rasgavam o céu estrelado,

um passou rente à roda gigante,disparado.

Várias barracas bombavam comidas típicas,

outras com doces, salgados e coisas atípicas.

As mais concorridas eram as de pescarias,

seguidamente das de variadas iguarias.

Uma mistura de variedades de músicas

confundiam seus sons nas várias barracas.

As pessoas comiam, e bebiam seus quentões,

nisso um barulho se misturou aos dos rojões.

No início houve uma grande apreensão 

no que resultou em correria e confusão.

E na dúvida se foi ou não estouro de rojão,

a maioria resolveu optar pela dispersão.

Nós corremos em direção às nossas casas,

e parecia que nossos pés ganhavam asas.

Já na segunda-feira o comentário era geral ,

burburinho daquele nunca mais teve igual.

Corria um boato de que uma forte explosão

acabou com a festa e que havia caído balão.

Mas, logo o mistério foi quase desvendado

e ficamos sabendo quem foi o malfadado.

O botijão do carrinho de pipocas explodiu,

foi pelos ares , parece que ninguém mais viu.

Acharam restos às margens do rio Paraiba,

e dessa história não há muito que eu saiba.

Mas, felizmente não houve danos maiores,

só perda do carrinho, dos males os menores.

Pela primeira vez não comprei a cocada

para comer à noite sentada na calçada.

E as festas continuaram e até hoje existem ,

bem menos badaladas, mas ainda resistem.



                             

                                      Nilceia Herculano





Obs: foto ilustrativa da belíssima 
Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Livramento.
Bananal ,SP.

Tirada por mim 

















Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

As Redes e as Ruas

A Primeira Vez

Habitats