O Homem das Panelas


 Quando bateram palmas junto ao portão,

 logo meu irmão foi em sua direção. 

 Vi que era um homem que vendia panelas,  

 e que segurava nas mãos algumas delas.

 O vendedor era educado ,e sorridente ,

 e pediu para entrar gentilmente. 

 Meu irmão disse para ele que não, 

 e que nós não tínhamos autorização. 

 Meus pais haviam saído para o trabalho 

 e estávamos com meu irmão mais velho. 

 Mas mesmo assim ele se adentrou 

 e as negativas de meu irmão ignorou.

 Ele colocou variadas panelas sobre a mesa, 

 e já foi mostrando sua praticidade e beleza. 

 O Homem usou sua lábia de vendedor,

 expôs o produto de um modo encantador. 

 Meu irmão recusava categoricamente, 

 porém o vendedor insistia teimosamente.

 E quando ele se cansou de ouvir não,

 deixou um kit para mera demonstração. 

 Meus pais não eram obrigados a ficar, 

 e disse que esse era seu jeito de trabalhar.

 Mas, meus pais zangaram com a gente,

 e mandaram devolver o kit no dia seguinte. 

 E só na outra semana foi que ele voltou 

 e aí aquele discurso também já mudou. 

 Ele não queria aceitar as panelas de volta, 

 o que causou no meu irmão muita revolta. 

 A teimosia entre o  vendedor e meu irmão

 quase terminou em imensa confusão. 

 Aquelas panelas ficavam de mãos em mãos,

 hora nas do homem ou nas de meus irmãos. 

 Meu irmão fingiu dar uma vassourada, 

 e logo o vendedor saiu em disparada.

 Pendurou as panelas de qualquer jeito ,

 e a maioria delas sobre o braço direito. 

A vizinhança comprou uma briga não sua 

e o vendedor até perdeu a saída da rua. 

 E já que todo mundo também interferiu,  

 muita gente veio ver o  acontecido e riu.

 "O Homem das panelas" virou zoação, 

 esse apelido por tempos foi de meu irmão. 

 A molecada como sempre não perdoava

 e insistia em zoar quando ele passava. 

 Hoje, apareceu um vendedor por aqui, 

 eles estavam há tempos sumidos daqui. 

Comprei uma passadeira de cozinha, 

para pagar em cinco parcelas na fichinha.


                       Nilceia Herculano  


Obs: não sou a favor da violência, 

essa é só mais uma historinha real. 

Existem ótimos vendedores honestos. 



             


 

 

 

 

 

 


 

  

 


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