Domingo em Família
A tarde já ia embora preguiçosamente,
naquele Domingo intensamente quente.
Minha mãe fazia um bolo bem recheado,
e eu raspava a lata de leite condensado.
Logo pela manhã fiz meu dever da escola,
pois na segunda teria arguição na aula.
Sabia de cor sobre os rios Pó , Loire e Sena ,
descobrir o mundo para mim valia a pena.
Meus irmãos jogavam futebol no quintal
e a bola quase batia nas roupas no varal.
Xolim, era o cão feroz guardião da família ,
mas naquele dia estava brincalhão e latia.
O rádio à pilha sobre o parapeito da janela
tremia e parecia que ia cair de cima dela.
Esse velho amigo de meu pai era relíquia,
e nele em hipótese alguma alguém mexia.
O locutor esgoelava um jogo de futebol
e a todo instante parecia que ia gritar gol.
Pai,irmã ,irmão torciam para o fluminense,
meu irmão do meio era um botafoguense.
Os meninos lá no quintal eram vascaínos ,
zoavam de meus irmãos e criavam hinos.
Só pra contrariar, pelo rubro eu quis torcer ,
na alegria ou na tristeza,enquanto eu viver.
E os dias eram compartilhados em família ,
e a gente não sabia o que era melancolia.
Hoje , muitos da família já foram embora ,
mas outros tantos chegaram em boa hora.
Mas , a vida é uma partida difícil de prever,
e antes do apito final tudo pode acontecer.
E quando a gente perde uma vida, chora.
E quando ganha outra vida , comemora.
Nilceia Herculano


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