Histórias de vidas



Resolvi tirar essa foto dessa capivara,

antes que ela virasse rapidamente a cara.

Nesse tradicional ponto de ônibus da cidade 

a presença delas sempre foi normalidade. 

E foi assim, enquanto terminava a foto 

quando desceu uma senhora de uma moto. 

Acho que era um serviço de mototáxi ,creio eu,  

deduzi pela maneira que ela desceu. 

Me perguntou sobre o horário do ônibus, 

e sempre mencionava a palavra Jesus. 

Logo expôs sua vida quase que inteira ,

em bem menos da metade de meia hora. 

Disse que vinha de sessão de fisioterapia, 

mas, enquanto ela falava, eu só ouvia. 

Morava em uma casa que era de aluguel, 

e tinha ganhado um rack da dona do imóvel. 

A filha não gostou que ela tivesse aceitado,

e se estivesse bom não teria sido dado.

Disse que a filha não combinava com a sogra, 

e que nem ela própria se dava com sua nora. 

Por coincidência entramos no mesmo coletivo, 

sentamos em lugares diferentes, sem motivo. 

Não vi nem quando e onde ela desembarcou ,

e nem seu nome ela não me falou. 

Naquele dia ainda conheci uma professora ,

que morou numa fazenda em sua vida inteira. 

Disse que caminhava por quase uma hora ,

para conseguir uma condução na estrada. 

Falou também muita coisa sobre sua vida ,

mas essa história já não é para agora. 

E segui de volta para o meu destino, 

revi a capivara comendo a grama, sol a pino. 

E se na rua a gente não sabe quem é quem ,

conversar um pouquinho faz bem a alguém. 


   


                       Nilceia Herculano 


                       

Obs:nas ruas têm muita gente que não presta ,

mas acredito que a grande maioria ainda presta. 

Às vezes as pessoas têm urgências em falar sobre si mesmas. Sei lá. 














 

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