Eram dias de folias dos Santos Reis, o ponteiro do relógio passava das seis. Eu sabia mais ou menos ver a hora no relógio do meu pai sobre a cadeira. Era dia de apresentação de folias na praça, com batidas e palhaços fazendo muita graça. Nesse tempo, para mim o sentido do Natal era ouvir ao longe aquela batida sem igual. Os brinquedos do natal eram abandonados e saíamos literalmente disparados. Às vezes ficávamos noites e dias correndo atrás das mais variadas folias. Nós amávamos os gingados dos palhaços, e tentávamos decifrar seus traços. Visitavam todas as casas das redondezas, exibindo coreografias com maestrezas. A felicidade se estampava em cada rosto, em cada olhar e em todo jesto. A gente via o olhar do jovem brilhar e o olhar de um idoso despertar. Por aqui ainda aparece alguma folia, mas cada vez aparece menos hoje em dia. Hoje elas se concentram em ginásios e geralmente para fazer desafios. Mas,se aparecer alguma folia por aqui, acho que vou mesmo...