Os Filhos do Vento
Era uma manhã qualquer, não sei ao certo o ano sequer. Pessoas na rua num vai e vem, e meninos caminhando nos trilhos do trem. Era um grupo de cinco ou seis e o mais velho tinha uns dezesseis. Eles corriam de lá para cá a esmo e um deles até defecou,ali mesmo. Notei que alguns tinham as costas marcadas, por baixo de suas camisas rasgadas. O sol refletia seu brilho incisivo, naquelas criaturas sobre o trilho. Eles atiravam pedras no vagão, tudo era uma grande diversão! Enquanto eu caminhava e observava, todo mundo passava e nem olhava. Pois eram meninos de pés descalços, passando por tais percalços. Talvez até tivessem seus pais, mas pareciam livres demais! Ouvi um apito:era do trem cargueiro, que me tirou a visão por inteiro. E logo que o gigantesco passou, a brincadeira também cessou. Só pude ver que o grupo longe partia, em meio à poeira da ventania que fazia. Pensei:são os filhos do vento,como tal estar aqui ou acolá para eles era normal. Hoje espero...