O vento soprava as roupas no varal, exalando um perfume floral,pelo quintal. Fazendo meu dever de casa numa mesinha, eu sentia o aroma do café, vindo da cozinha. Minha mãe fazia o café pontualmente aliás, cozinhava divinamente! De matemática só faltava resolver um problema, mas eu ainda teria que ler "Iracema ". Lá de fora veio um grito de gol: era meu pai, ouvindo o jogo de futebol. Ele tinha um radinho à pilha,verde , e muitas vezes quase o derrubei da parede. Carrinhos de rolimãs desciam a ladeira, eram meus irmãos, na brincadeira. E quando a temporada de pipas chegava até a puxar a linha das árvores eu ajudava. Eles não ligavam muito para o dever, achavam que já sabiam ler e escrever. E, ficavam de castigo sempre no final da aula , fazendo o dever de casa ,lá na escola. Nem era por querer que não faziam, era tanta euforia, e eles se esqueciam. Só quando a Siderúrgica indicava a hora é que toda a criançada da rua...