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Sobre Hoje

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Hoje rajadas de vento varreram o quintal, e por sinal já nem tem mais varal.  Agora os jeans quase tremulam no terraço,  sobre rígidos inoxidáveis cabos de aço.  As ruas ficam vazias  constantemente,  e o barulho do vento fica mais evidente.  Ouço vozes de crianças num jogo no celular,  provavelmente em alguma sala de estar.  Barulhos também vêm de jogos na televisão,  e causam muito alvoroço e zoação. Mudaram  quase todas as brincadeiras,  e as diversões são de outras maneiras.  Tudo na vida dura um certo tempo,  e acaba em um incerto momento.  Apesar de escrever sobre o passado,  tenho passado por ele sempre de lado.  Trago lembranças boas do que vivi nele,  e não tenho tempo para saudades dele.  Procuro ser uma pessoa atualizada, aceito as mudanças impostas pela vida. Ouço inúmeras canções do momento,  atualizo um conceito ou conhecimento.  Os dias de hoje também têm seus encantos nas ...

Gavetas do Tempo

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Tranquei nas gavetas do tempo  todas as horas de angústia, e fadados dias de melancolia.   Para evitar qualquer contratempo, soltei as chaves ao vento. Mas, antes tirei delas os meses de alegria, e todos os anos de sabedoria.                    Nilceia Herculano      

Minha Mãe

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  Minha mãe fazia o café pontualmente,  aliás, cozinhava divinamente.  Minha mãe cantava uma manchinha  e costurava na sua máquina pretinha.  Ela aprovava as amizades de seus filhos,  e costumava não colocar empecilhos.  Com minha mãe aprendi a cozinhar  e posteriormente também a costurar.  Com ela aprendi fazer a limpeza da casa,  e a casa do botão de uma blusa.  Minha mãe fazia arroz bem soltinho  e também um arroz doce durinho.  Ela fazia abobrinha bem batidinha,  e sempre picava a couve bem fininha.  Muitas vezes chamava a gente pelo apelido,  e quando zangada, pelo nome todo.  Meu último presente das mães marcou; um espremedor de laranjas que ela amou! O tempo passou e viramos também amigas,  resolvíamos problemas sempre unidas.  Eu ouvia muito os conselhos dela,  mas também dava alguns para ela.  Minha mãe se foi dessa vida há tempos,  e deixou comigo vários ensinamentos....

Mundo Cor de Rosa 2

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 O vento levantou poeira do quintal  que  foi em direção às roupas no varal. Meu vestido de godê amarelo voava e entre as demais peças se destacava.  Usado nos catecismos,missas aos Domingos  e passeios à rua da feira com amigos.  As ventanias de Agosto ditavam regras, e influenciavam todas as brincadeiras. Eu não gostava muito desses dias,  pois prejudicavam brincadeiras femininas.  Não dava mesmo para jogar maré, segurar a saia e ainda ficar num só pé.  E mesmo batendo com força na peteca  ela se desviava para a casa da Dona Teca. Pular corda não dava nem para tentar, porque as rajadas faziam a corda voar. Já a molecada deixava de lado o grude  nas suas tão amadas bolinhas de gude.  Ventanias pediam pipas coloridas,  diversificadas,criativas e lindas.  Quase todo mundo queria ter a sua,  valia soltar até ratinhos de papel na rua.  Vez ou outra subíamos para os morros,  e a maioria desbicava entre os c...

Coisas da Vida

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A alegria e a  tristeza são rivais  e não se encontram jamais.  Uma sempre chega na hora em que a outra está indo embora.                  Nilceia Herculano 

Daniele

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  Daniele era um raio de sol  e eu me sentia um girassol.  Nossas vidas giravam em torno dela, nossas atenções foram para ela. Sofria restrições de sua doença  que era irreversível de nascença.  Apesar das limitações sofridas, veio para somar nossas vidas. Menina bastante amorosa,  tinha fama de ser vaidosa.  Na sua imensa vontade de viver,  pouco a pouco a vi crescer.  Ficou pouco aqui na terra  e cedo foi para uma nova esfera.  Virou minha estrela cadente  e sempre peço que me oriente.              Nilceia Herculano  Obs:Letra de um RAP feito para uma  amiga homenagear a filha que se foi e cantado por  um sobrinho meu. 

O Vendedor de Sonhos

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Bateram exageradas palmas no portão,  Logo,o cachorro xolim foi em sua direção.  O insistente vendedor de livros dessa vez demonstrava uma certa timidez.    Talvez fora mal recebido na casa ao lado,  e sua insistência não dera resultado.  Na nossa casa sempre eram bem recebidos,  na maioria das vezes levavam recibos.  Meu pai quase sempre comprava e minha mãe às vezes não gostava. Desde enciclopédias a jogos de panelas,  os vendedores faziam vendas daquelas. Naquele dia não foi muito diferente,   meu pai comprou livros para a gente.  Num total de quatro livros coloridos; Vermelho, verde,bege e azul. Lindos! Eram aqueles clássicos contos de fadas que não deixaram nossas vidas enfadadas.  Passávamos horas, várias noites e dias  mergulhados naquelas histórias. Me pegava sonhando com outras vidas,  através daqueles contos de fadas. Saber ler é caminhar numa extensa rua e não deixar que alguém te diminua.  Em out...